Senescência e Senilidade

O que é isso?

 

“Estou ficando velho, é normal ter sintomas na minha idade”. Você já ouviu esta frase? Ela parece tão comum que pode soar como verdadeira para muitas pessoas. Associar envelhecimento com doenças é um pensamento muito presente na nossa sociedade. Mas você já parou para pensar que nem todos os idosos queixam-se de sintomas ou enfermidades? Se estas condições fossem inerentes ao processo de envelhecimento, como explicar tantas pessoas saudáveis em idades avançadas? Estes questionamentos estão cada vez mais presentes e são impulsionados pelo aumento acentuado da população de idosos no mundo todo.


De acordo com o IBGE, a porcentagem de brasileiros com mais de 60 anos na década de 40 era de aproximadamente 4% e a estimativa para 2020 é alcançar 12% da população. Além do envelhecimento da população total, a proporção de pessoas com idade acima de 80 anos está aumentando substancialmente. No ano de 2007 a porcentagem deste grupo etário atingiu 1,4% da população brasileira, algo em torno de 1,6 milhão de pessoas.


Entender o envelhecimento em todas as suas nuances, começa com a diferenciação do que é normal e esperado neste processo e do que é patológico. Com o passar dos anos, nosso corpo sofre uma série de transformações anatômicas e funcionais que atingem todos os órgãos e sistemas. O adelgaçamento da pele, o enrijecimento dos vasos sanguíneos e a redução de algumas células de defesa são alguns exemplos. Estas mudanças são denominadas senescência ou envelhecimento normal. Não são acompanhadas de sintomas e não interferem negativamente no estilo de vida de cada um.


No outro extremo está a senilidade, termo atribuído à presença de doenças e limitações que podem surgir ao longo da vida, como a osteoporose, a hipertensão arterial e o câncer. Estas são características do envelhecimento patológico e necessitam de abordagem e tratamento específicos. É verdade que as doenças, principalmente o câncer e as crônico-degenerativas, são muito mais prevalentes na população idosa, mas atribuir estas condições como esperadas para idades avançadas é um equívoco.


Assim como não podemos confundir envelhecimento normal com doenças, também não podemos tratar idosos da mesma forma que adultos, jovens ou crianças. Cada etapa da vida tem suas características e precisamos lembrar disto a cada tratamento proposto. As modificações que a senescência estabelece no organismo do idoso torna-o mais sensível a “fatores estressores” sejam eles cirurgias, infecções ou efeito de medicação. Por isso, o indivíduo pode ficar mais vulnerável a complicações.


Em algumas situações os limites entre senescência e senilidade não são tão claros. A abordagem ampla e globalizada visa buscar ativamente estas condições e estabelecer o melhor plano de tratamento para cada caso. Assim, sempre que o paciente perceber algum sintoma ou mudança no padrão de funcionamento do seu corpo esteja ele ou não em tratamento para câncer, deve procurar ajuda especializada e não acreditar que “é normal da idade”. Esta frase é muito perigosa e não deve ser utilizada antes de uma avaliação completa.


O envelhecimento ainda é um processo cercado de dúvidas e preconceitos. Muito já se descobriu, mas diversas pesquisas ainda estão em andamento com o objetivo de alavancar o entendimento sobre esta fase da vida. Somente assim conseguiremos atingir o melhor de nosso potencial e estabelecer as condições necessárias para nos mantermos ativos, produtivos e com qualidade de vida.